Gaia – Mãe Terra

5 de julho de 2019

materia-foto

Ecologia, Ativismo e Fotografia

Há diversas maneiras de manifestar-se a favor de uma causa ambiental. Por meio de palavras é possível descrever a natureza e narrar a importância da preservação. Assim, também, são as fotos. Elas podem fazer muitas pessoas entenderem a importância da preservação da vida. Na arte fotográfica há uma maneira de tentar conscientizar, através de constatação visual, algo que de fato ocorreu diante das lentes.

A fotografia pode ser uma forma de ativismo. A arte fotográfica, como todas as manifestações artísticas, tem o poder de levantar bandeiras para problemas dos mais diversos. O fotógrafo Araquém Alcântara comenta que a fotografia pode “dar ênfase à beleza, mas é impossível não mostrar através dela a destruição. Os dois lados fazem da fotografia um instrumento valioso como testemunho social de denúncia e também de reflexão.”

Por intermédio da arte é preciso mostrar que a terra é um organismo único e vivo, onde as espécies e ecossistemas possuem uma ligação. Essa maneira de entender o planeta foi pensada pelo cientista inglês James Lovelock, 98 anos, que elaborou na década de 1960 a Hipótese de Gaia, a qual compreende a terra como um sistema único, autorregulado e totalmente integrado.

 A hipótese de Gaia fortaleceu uma importante linha de preservação ambiental, criada por Arne Næss na década de 1970, chamada Ecologia Profunda. Essa ideologia entende um mundo como uma série de fenômenos totalmente interligados e interdependentes, além de colocar o ser humano como uma parte desse todo. Com isso, a ecologia profunda influencia movimentos ativistas, os quais querem não apenas a preservação da vida, mas também toda uma mudança na maneira de pensar e viver em sociedade.

Para mudar o pensamento de cada indivíduo é preciso entender primeiramente que nós perdemos o contato com a natureza a partir do momento em que a ganância se tornou parte da mentalidade humana. Como exemplo há a destruição da Mata Atlântica; desde o princípio da colonização do Brasil a floresta era apenas um obstáculo para as plantações e uma fonte fácil de lucro. Não obstante, mesmo após cinco séculos de destruição, a floresta “continua sendo vista como mato sem função, que precisa ser derrubada para entrar a tal civilização”, explica Araquém Alcântara.

Pantanal Sul

Os enormes massacres ambientais que ocorrem neste momento nos biomas brasileiros, principalmente no Cerrado e na Floresta Amazônica, são frutos dessa mentalidade. O Brasil criou “um monte de assassinos com uma política totalmente de costas para os grandes interesses nacionais”, comenta Alcântara. O fotógrafo expressa sua tristeza ao complementar sobre as florestas sendo extraídas de forma oculta de sua população, pois é na natureza que estão as riquezas de um povo.

O professor de biologia Reinaldo Haiek destaca a necessidade de existir uma educação ambiental que valorize a relação entre a sociedade e a biodiversidade do planeta. Reinaldo sentencia que o ser humano não tem ideia da importância de uma educação ecológica efetiva para o bem-estar de todos os seres do planeta. Contudo, segundo o biólogo, a conscientização é difícil, pois “muitas vezes o homem pensa apenas na sobrevivência imediata, querendo cuidar só dele mesmo.”

Essa conscientização ambiental precisa de vários caminhos diferentes, mas com o mesmo destino. Ao ser questionado sobre quais medidas deveriam ser tomadas para uma compreensão ecológica efetiva, Araquém disse que a natureza “deveria ser vista como um refúgio, uma sala de aula ou uma biblioteca. Todas as crianças deveriam visitar a mata e, lá dentro, aprender sobre os bichos e as árvores. Mas, também, sobre aqueles que a protegeram, como exemplo Charles Darwin.” O renomado fotógrafo brasileiro diz que precisamos ensinar sobre a floresta como sendo ˜um espaço para o grande repouso da mente para a educação e para a percepção holística de um sistema integrado de rara beleza, que ainda não é conhecido.”

Seria importante uma educação que viesse acompanhando as gerações desde seu nascimento e continuasse por toda a vida. A mudança se dará apenas “quando o Homem pensar no ambiente como um todo, não só no ser humano que vive nele, mas sim no planeta e nas consequências do mau uso. Assim, sem dúvida nenhuma, teríamos uma consciência ecológica”, enfatiza Reinaldo Haiek.

No Brasil, além da educação nas escolas, seria preciso criar uma política de preservação ambiental com alta prioridade a favor da natureza. O foco agora seria conservar aquilo que restou da Mata Atlântica. Mas, principalmente lutar incessantemente contra o desmatamento da Floresta Amazônica e do Cerrado. Ambos os biomas caminham para o mesmo fim triste da floresta atlântica. Caso não ocorra uma radicalização na maneira de protegê-los, com mais reservas ambientais e com reflorestamentos de áreas abandonadas e improdutivas, o Brasil acabará com toda sua essência e riqueza.

Victor Chahin – Dezembro/2017